Gastronomia e vinhos no Porto e Norte

Terra de mar, de planícies e montanhas, a gastronomia do Porto e Norte de Portugal é tão diversa como a paisagem onde os seus ingredientes são produzidos e degustados.

CS Vintage House Hotel CC BY-NC-ND

DOP Restaurant CC BY-NC-ND

DOP Restaurant CC BY-NC-ND

D.Tonho CC BY-NC-ND

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EcoTours Portugal CC BY-NC-ND

Vinitur CC BY-NC-ND

Vinitur CC BY-NC-ND

 
 
 
 
 
 
 
 

Terra de sabores

Conhecida pela hospitalidade, a região é generosa na hora de servir bem à mesa. E com uma enorme variedade de pratos (de peixe, marisco, carne ou doçaria regional e conventual), cozinhados com ingredientes locais.

Porquê ir

  • Gastronomia e Vinhos
  • Património
  • História
  • Paisagem natural
  • Restaurantes

Com quatro regiões vínicas demarcadas, a região também oferece um vinho para cada ocasião. Nos muitos vinhos de qualidade excecional aqui produzidos, há um conhecido em todo o mundo o vinho do Porto, produzido na região demarcada mais antiga do mundo mas há outros à espera de serem provados, como os tintos e brancos do Douro e os verdes da Região do Minho.

Os pratos

Porto e arredores

Uma visita ao Porto envolve, quase sempre, a degustação de uma francesinha e de um prato de tripas à moda do Porto.As segundas nasceram quando o Infante D. Henrique, que precisava de abastecer as naus para a tomada de Ceuta, em 1415, pediu aos portuenses todo o género de alimentos. A população ficou apenas com as miudezas das carnes, incluindo as tripas. Assim nasceriam as tripas à moda do Porto e também a alcunha dos portuenses: os "tripeiros". A francesinha é mais recente. Terá nascido na década de 1950 e consiste numa sanduíche com carnes e queijo, tudo coberto por um molho picante cuja receita varia de restaurante para restaurante. Uma das discussões preferidas dos portuenses é mesmo "Onde se come a melhor francesinha da cidade?". Acompanha-se, quase sempre, por um fino - cerveja servida sob pressão num copo fino e alto. Antes da refeição, recomenda-se um Porto Tónico, um cocktail feito com vinho do Porto branco seco, água tónica, gelo e uma rodela de limão num copo alto. É uma das novas formas de experimentar os prazeres do vinho do Porto.

Também no Porto, há bons pratos de peixe, nomeadamente de bacalhau (à Gomes de Sá, à Brás, à Zé do Pipo, à João do Buraco,...). Em Gaia, vizinha do Porto, as refeições pedem a broa de Avintes, que casa muito bem com o caldo verde, sopa de couve galega típica do norte.

A cidade de Matosinhos, também vizinha do Porto, é muito conhecida graças aos vários restaurantes que fazem da confeção do peixe fresco, vindos das lotas locais, uma arte. Experimente acompanhar o peixe e os mariscos com vinho verde.

Também em Espinho, o peixe é rei, mas o marisco (o camarão, a lagosta suada) é igualmente conhecido. Uma caldeirada com vários peixes é uma boa opção. Ainda na costa, a norte do Porto, a cidade piscatória da Póvoa de Varzim é dona de uma rica cozinha baseada no peixe a pescada à poveira é disso exemplo. A refeição pode terminar com uma doce rabanada à poveira. Em Felgueiras, destaca-se um doce, o pão de ló de Margaride. Outrora servido à mesa da família real, hoje é uma iguaria democrática cozida em forma de barro, que combina bem com um cálice de Vinho do Porto.

Também Santo Tirso é especialista em doçaria: os jesuítas, os limonetes, as bolachas do Mosteiro de Santa Escolástica Ali perto, em Amarante, são famosos os papos de anjo, as brisas do Tâmega e o toucinho-do-céu. Em Arouca é rainha a vitela arouquesa, tenra como poucas e com um sabor único.

O que precisa saber

  • A Região Demarcada do Douro é considerada a primeira região demarcada do mundo – existe desde 1756
  • Na região dos vinhos verdes, as vinhas ocupam 21 mil hectares de área, 15% da área vitícola portuguesa.
  • No Douro, os invernos são muito frios e os verões muito quentes e secos. “Nove meses de Inverno e três meses de Inferno", reza a sabedoria popular.
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Nas terras minhotas

O rei da cozinha minhota é o caldo verde. Couve migada, batata, alho, cebola e azeite são os ingredientes deste caldo, que se acompanha com rodelas de bom chouriço e broa de milho. Nos peixes, os pratos à base de lampreia e sável partilham com o bacalhau as honras da boa mesa minhota. Mas foi o bacalhau de cura amarela que deu fama à gastronomia da região. O bacalhau à Gil Eanes e a truta à minhota com presunto são outros pratos famosos.

Nas carnes, o sarrabulho (em papas ou em arroz), os rojões e a perna de porco à Clara Penha são pitéus muito apreciados em tempo de matança do porco, por alturas do Natal - mas degustam-se durante todo o ano. Também merecem destaque o cozido, o cabrito da Serra e a caldeirada de cabra nova do Gerês. E que bem ficam estas iguarias acompanhadas por um vinho verde tinto... A acompanhar, petisca-se o presunto de Castro Laboreiro e os enchidos caseiros.Em Monção, Melgaço e outras terras do distrito de Viana do Castelo, é quase obrigatório comer a lampreia do Rio Minho, servida, em geral, com arroz.

Em Esposende (Braga), as Clarinhas de Fão são rainhas da doçaria. Também no distrito de Braga, em Barcelos, a doçaria é também célebre (por culpa das brisas do cavado, das queijadinhas, dos sonhos), mas o símbolo da terra, o galo, é também costumeiro nas mesas. Ainda nos doces, Braga é a terra do pudim Abade de Priscos, feito com ovos, toucinho e vinho do Porto. O bacalhau à moda de Braga e o arroz pica-no-chão são outros dos pratos da variada gastronomia local.

No Alto Douro e no nordeste

O interior do norte de Portugal tem uma tradição gastronómica riquíssima.No nordeste, na região de Trás-os-Montes, as montanhas determinam os sabores. É nelas que se cria a carne dos muitos e suculentos pratos da região.

As alheiras de Mirandela têm um estatuto quase mítico. Este é um enchido tradicional fumado feito de carnes diversas, azeite de Trás-os-Montes e pão regional de trigo. As alheiras também se provam em Miranda do Douro, terra afamada pela posta mirandesa. A alheira é só um dos muitos alimentos de fumeiro conhecidos na região: salpicão, chouriços, butelo, presunto Na feira anual de Vinhais, estão todos à venda.

Em Montalegre, várias carnes (de porco) fumadas são usadas no cozido à barrosã. Tudo é temperado à maneira barrosã e curado com o fumo da lenha de carvalho e com o frio saudável da terra.Em Mondim de Basto, é essencial provar a carne maronesa e o pão de ló húmido, especialidade e símbolo desta região. É feito à base de açúcar, farinha de trigo e ovos caseiros.

Vai gostar

  • De descobrir a diversidade dos vinhos DOC. Com quatro regiões vínicas demarcadas, a região também oferece um vinho para cada ocasião
  • Da enorme variedade de pratos (de peixe, marisco, carne ou doçaria regional e conventual), cozinhados com ingredientes locais.

Os vinhos

Vinhos Verdes

No noroeste de Portugal, fica a região dos Vinhos Verdes, berço da famosa casta Alvarinho.Únicos no mundo, os verdes são vinhos acidulados, leves e frescos, com um teor alcoólico médio e com boas propriedades digestivas.São vinhos fáceis de beber, frutados, que funcionam muito bem como aperitivos ou a acompanhar refeições ligeiras peixes, mariscos, carnes brancas, saladas e outros pratos.

A produção de vinhos verdes é marcada pelos solos graníticos, a brisa atlântica (os ventos marítimos têm a sua penetração facilitada devido à orientação dos vales dos principais rios) e os elevados níveis de precipitação.Na região dos vinhos verdes, as vinhas ocupam 21 mil hectares de área, 15% da área vitícola portuguesa.

Trás-os-Montes

No extremo nordeste de Portugal, a norte da região do Douro, fica a região vitivinícola de Trás-os-Montes, que se divide em três sub-regiões: Chaves, Valpaços e Planalto Mirandês.A região é marcada pelo clima seco, muito quente no verão e muito fria nos longos invernos, estação em que os termómetros registam muitas vezes valores negativos.

As castas plantadas nos solos graníticos são praticamente as mesmas nas três sub-regiões.As castas brancas dominantes são Côdega do Larinho, Fernão Pires, Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato, Síria e Viosinho, enquanto as tintas mais plantadas são Bastardo, Marufo, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira.Os vinhos tintos de Trás-os-Montes são geralmente frutados e levemente adstringentes. Já os vinhos brancos caraterizam-se pela sua suavidade e aroma floral.Há provas de que nesta região se produz vinho pelo menos desde a ocupação romana.

Douro

A Região Demarcada do Douro é considerada a primeira região demarcada do mundo existe desde 1756.Os socalcos espalhados pela região marcam de forma notável a paisagem do Alto Douro, no nordeste de Portugal, construída num espantoso diálogo entre o Homem e a natureza. A região é Património da Humanidade, título atribuído em 2001 pela Unesco.A oeste, o Vale do Douro é abrigado dos ventos húmidos pelos montes graníticos do Marão e do Montemuro.

No Douro, os invernos são muito frios e os verões muito quentes e secos. "Nove meses de Inverno e três meses de Inferno", reza a sabedoria popular.

A região, 250 mil hectares marcados por uma profusão de microclimas, divide-se em três sub-regiões que variam muito em termos de temperatura e de precipitação: Baixo-Corgo, Cima-Corgo e Douro Superior. É aqui, em terras pobres e xistosas (dificuldades a que se juntam a inclinação do terreno), que se produz o vinho do Porto, vinho licoroso que é embaixador dos vinhos portugueses, mas também, e cada vez mais, vinhos tintos e brancos de qualidade superior.As dificuldades oriundas do solo são benéficas para a longevidade das vinhas e dão origem a mostos mais concentrados de açúcar e cor.

O que fazer

  • Em Setembro/Outubro, participe nas vindimas de uma das quintas produtoras de vinho do Porto no Douro
  • Faça a Rota dos Vinho do Porto e Douro
  • Faça a Rota das Vinhas de Cister
  • Faça a Rota do Vinho Verde

As castas para a produção de vinho do Douro e Porto mais usadas são a Aragonez, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão, Trincadeira e Souzão. A produção de vinhos brancos sustenta-se, em boa medida, pela plantação de castas como a Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato e Viosinho. Para a produção de Moscatel, é usada a casta Moscatel Galego.

Região Demarcada do Távora-Varosa

Esta pequena região produz alguns dos melhores vinhos de mesa brancos (distintos pela sua frescura) e tintos (elogiam-lhes a suavidade) nacionais, bem como espumantes de exceção, ideais para ocasiões de festa.As castas brancas são as predominantes na região (Cerceal, Chardonnay, Gouveio, Malvasia Fina). As castas tintas mais plantadas são a Pinot Noir, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Touriga Nacional.

Como Chegar

Para o Porto, há voos de Bremen, Düsseldorf, Frankfurt, Karlsruhe, Munique, Dortmund, Zurich, Liverpool, Londres, Bordéus, Carcassone, Dole, La Rochelle, Lille, Lyon, Marselha, Nantes, Paris, Rodez, St. Etienne Toulouse, Tours, Barcelona, Madrid, Palma de Maiorca, Valência, Bolonha, Milão, Pisa, Roma, Copenhaga, Bruxelas, Amesterdão, Eindhoven, Rio de Janeiro, São Paulo e Nova Iorque.

Do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, a melhor forma de chegar ao centro da cidade do Porto é de metro. A viagem dura cerca de 30 minutos.

Para o Douro, siga pela estrada nacional 108 até Entre-os-Rios – é mais demorado mas vale a pena pela paisagem – e continue pela margem do rio Douro até à Régua. Em alternativa, pode ir pelo IP4, que liga os distritos de Porto, Vila Real e Bragança, ou a A4 e depois continuar por estradas nacionais e municipais. Do Porto à Régua são cerca de 100 Km.

Para Viana do Castelo, que fica a 60 Km do Aeroporto do Porto, apanhe a A28/IC1 ou a EN13. Para Caminha e para a Serra de Arga, continue na A28/IC1. Para Ponte de Lima, chegando a Viana do Castelo, siga pela A27.

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