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As aldeias vinhateiras na região do Douro

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Da paisagem à gastronomia, da arquitetura religiosa aos costumes, há seis aldeias que oferecem o melhor do Douro vinhateiro.

    • História e cultura
    • Património
    • Natureza
    • Gastronomia e Vinhos
    • Percorrer as aldeias vinhateiras e conhecer a sua história e ligação à produção de vinho.
    • Experimentar o moscatel e o pão de Favaios, uma pequena parte da rica gastronomia destas aldeias.
    • Descobrir o mosteiro de Salzedas, um dos mais importantes de Portugal. 
    • Visitar a ponte fortificada de Ucanha, única em Portugal, e a respetiva torre de portagem dos séculos XII e XV.
    • Observar a produção de calçado à mão junto dos sapateiros, um ofício de grande tradição em Trevões.
    • Todos os anos, durante os meses de setembro e outubro, várias festas populares animam as aldeias.
    • É possível participar nas vindimas. Entre setembro e outubro, muitas das quintas do Douro, recebem turistas desejosos por participar na vindima. Em algumas há possibilidade de alojamento. 

São aldeias com uma história milenar intimamente ligada ao vinho. Entre as centenas de aldeias situadas na região do Douro, seis foram escolhidas, em 2001, para receber a designação de “aldeias vinhateiras”.

Favaios, Provesende, Barcos, Trevões, Salzedas e Ucanha foram as selecionadas. Nestas aldeias, resguardadas por montes e vales de cortar a respiração, irá encontrar um património rico e uma gastronomia deliciosa. Por isso, todas exigem uma visita prolongada.

As aldeias ficam especialmente animadas durante os meses de setembro e outubro, época que coindice com o trabalho da vindima. Mas vale a pena visitar as seis aldeias vinhateiras em qualquer altura do ano. Graças ao projeto das aldeias vinhateiras, boa parte do património arquitetónico e cultural destas terras e gentes foi recuperado e várias tradições – do artesanato à gastronomia – preservadas, valorizadas ou mesmo resgatadas do esquecimento.

Passear nas aldeias vinhateiras é descobrir espaços que nos parecem quase intocados pelo tempo, tal a beleza das ruelas estreitas, das casas brasonadas, dos solares e das quintas, das capelas, das igrejas e dos mosteiros. Sempre com paisagens belíssimas como cenário.

É, em suma, conhecer o melhor do Douro vinhateiro, que a UNESCO classificou em 2001 como Património da Humanidade.

Favaios e Provesende

A viagem pode começar em Favaios, no concelho de Alijó (Vila Real). A aldeia, fixada num vasto planalto do sopé da serra do Vilarelho, a três quilómetros da sede do concelho, é conhecida pelo pão caseiro e pelo vinho Moscatel, mas, apesar da sua pequena dimensão, tem muito mais para oferecer.

A arquitetura religiosa marcará a visita a Favaios e nas outras aldeias vinhateiras. Visite a Igreja Matriz de Domingos, uma construção neoclássica com a torre sineira mais alta do concelho. Passe pela capela de Santa Bárbara, situada no cimo do monte de Santa Bárbara (bónus: um magnífico panorama sobre as vinhas, vales e serras do Douro), bem como pelas capelas de São Paio, do século XVI, e de Santo António, do século XVII.

A Capela e a Casa de Santo António, um dos mais interessantes exemplos de residência senhorial do Douro, fazem parte do importante conjunto arquitetónico do Largo da Praça e da Rua Direita, construído quase todo nos séculos XVIII e XIX.

No Largo da Praça destaca-se o antigo Paço do Concelho, hoje transformado em estação de correios, com marcas da arquitetura erudita barroca. Já na Rua Direita os olhos devem fixar-se na Casa Lopo Vaz Moutinho.

Favaios guarda vestígios de eras mais longínquas. Fundado na Idade do Ferro, o Castro de Vilarelho, a 820 metros de altitude, permitia o controlo geoestratégico do território. É um povoado fortificado composto por duas linhas de muralhas, bem conservadas, e um campo de pedras fincadas, que servia para impedir o avanço dos inimigos.

No centro de Favaios merecem a sua atenção o Solar dos Sepúlvedas e a Casa dos Távoras, antigas casas nobres. O edifício do século XVIII conhecido como a “Obra” fazia parte de um desses solares nobres. Atualmente, aqui funciona o Museu do Pão e do Vinho, que permite uma viagem pela história e modo de fabrico das duas iguarias mais famosas de Favaios.

Aberto o apetite, percorra as padarias artesanais que cozem o famoso pão em forno de lenha (bem como as bolas ou folares de carne, de sardinha, de ovos...) e visite a Adega Cooperativa de Favaios para conhecer o processo de vinificação e apreciar o conhecido Moscatel. Mas a gastronomia local não se fica pelo pão e pelo vinho: experimente a feijoada à transmontana, o cabrito assado, as feijocas ensopadas ou as sopas de raia.

Já se chamou San Joanes, hoje é Provesende. No concelho de Sabrosa (Vila Real), situa-se uma das mais antigas povoações do reino português. Foi nesta aldeia que o viticultor Joaquim Pinheiro de Azevedo Leite Pereira (1829-1918) começou a combater a filoxera, uma praga do século XIX que quase destruiu as vinhas do vale do Douro e a extinguiu a produção de vinho do Porto.

Nesta aldeia da margem norte do rio Douro, situada no topo de um planalto (sinónimo de ótimas vistas), situa-se a Capela de Santa Marinha, datada do século IV ou V, a fase final do império romano. Foi um templo pagão até ser cristianizado. Seria, depois, uma mesquita árabe até à reconquista cristã. Na sua longa história foi ainda mosteiro beneditino.

A viagem na história de Provesende não ficará completa sem uma passagem pelo Castro de S. Domingos e a sua capela, a 809 metros de altitude – a subida faz-se com vista para os socalcos vinhateiros e o deslumbrante vale do Douro. Apesar de se encontrar em ruínas, o castro mostra vestígios da Idade do Ferro, nomeadamente restos de muralhas feitas em xisto. Passe também pelo cemitério luso-romano, nas proximidades do Santuário do Senhor Jesus de Santa Marinha.

Provesende foi terra de poder e riqueza, como indicam os seus 11 solares e casas brasonadas: da apalaçada Casa da Calçada, à Casa da Praça, a mais antiga de Provesende (data de 1460) e à Casa do Fundo da Vila, fundada no século XVIII por um descendente de Diogo Cão, importante navegador português do século XV.

Erguido em 1578, o pelourinho de Provesende, classificado como Imóvel de Interesse Público, também dá conta da relevância política e social da terra. O fontanário em granito, de 1755, no centro da aldeia merece uma visita. Junto à fonte, uma padaria típica mantém os traços do ano em que abriu portas, 1940.

Barcos e Trevões

Numa das encostas do rio Távora, situa-se Barcos, aldeia do concelho de Tabuaço (Viseu). No lugar de Santo Aleixo, em Barcos, terá surgido o primeiro mosteiro da região, durante a Alta Idade Média.

A história de Barcos remonta pelo menos à Idade do Bronze, segundo revelaram vestígios arqueológicos encontrados no monte Sabroso, onde existiu um castro. Na Mata da Forca há sinais da presença romana, nomeadamente nas ruínas de um lagar escavado na rocha. A aldeia guarda várias marcas de outras épocas, nomeadamente da Idade Média, para além de diversas quintas, solares e casas senhoriais que indicam a relevância da agricultura e da viticultura para a economia local. O Solar dos Caiados, com a sua capela, é monumento que também merece visita.

A Igreja Matriz de Barcos, datada do século XII, foi classificada como monumento nacional em 1922 e é de visita obrigatória – aprecie o interior, onde se destaca o altar em talha dourada e o teto pintado representando cenas da vida de Cristo. Ainda na arquitetura religiosa, aconselha-se uma visita ao Santuário de Santa Maria do Sabroso e um passeio no velho caminho da Via Sacra, que termina junto à Capela de Santa Bárbara e ganha vida na Semana Santa. Noutros tempos, muitas terras tinham uma “roda dos expostos”, um mecanismo utilizado para deixar recém-nascidos ao cuidado de instituições de caridade. Há uma roda dos expostos em Barcos.

Um passeio por Barcos deve ainda incluir uma passagem pelo Cruzeiro dos Centenários de Barcos, o Fontanário do Largo do Adro, o antigo Forno da Confraria e pela Fonte Velha.

Uma boa forma de conhecer Barcos e outras zonas do Douro Vinhateiro é através de dois percursos pedestres: o primeiro, “Socalcos do Douro”, liga Tabuaço, Barcos e Adorigo, enquanto o segundo, “História e Natureza”, atravessa Barcos e Santa Leocádia.

Outubro é um bom mês para visitar Barcos – é altura da Festa das Vindimas –, mas também o é o Carnaval, altura de vários rituais, entre os quais o “casamento” entre os jovens da freguesia e a realização de competições de jogos tradicionais.

Quanto à gastronomia, Barcos apresenta várias opções saborosas: do arroz de forno aos enchidos, sem esquecer a doçaria tradicional e conventual. Entre as inúmeras receitas da doçaria conventual, estão os folares, os rebuçados de ovos, as bolas caseiras, os doces de castanhas e a sopa de castanha.

Trevões é outro ponto do roteiro de aldeias vinhateiras, mas nesta vila do concelho de São João da Pesqueira (Viseu) a agricultura não se faz apenas a partir das vinhas: há azeite, produtos hortícolas, frutas, além de madeiras provenientes do pinheiro e do eucalipto.

A fé marca a história da terra, como mostram as muitas capelas e ermidas por estas bandas. Destaca-se a Capela de Nossa Senhora da Conceição, do século XVII, situada na praça da vila, e a Capela do Mártir São Sebastião, a mais antiga, datada dos séculos XVI e XVI. Na Semana Santa, acontece a conhecida Procissão do Senhor dos Passos. No Solar do Paço Episcopal, do século XVIII, descubra o “olho do bispo”, um óculo na fachada sul que servia para o bispo verificar se o número de fiéis era suficiente para celebrar a missa.

O Museu de Trevões guarda e divulga a história, a cultura, os modos de vida e as tradições da aldeia e do seu povo. Muitas artes tradicionais deixaram de ser praticadas, mas os sapateiros continuam a ter grande tradição. Antes de deixar Trevões, veja como se produz calçado à mão.

Salzedas e Ucanha

Salzedas, aldeia vinhateira do concelho de Tarouca (Viseu), é dona de um dos mais importantes mosteiros de Portugal. A sua fundação está ligada às raízes da nacionalidade portuguesa.

O Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas foi mandado construir por D. Teresa Afonso (1100-1171). Ao longo dos séculos, o mosteiro foi remodelado várias vezes. Da sua primitiva construção apenas é possível ver uma pequena capela. Foram monges que impulsionaram o desenvolvimento agrícola na região, lavrando os campos em redor do mosteiro, hoje monumento nacional.

Salzedas já tem gente há muito tempo – por aqui passaram, entre outros povos, lusitanos, romanos, suevos, visigodos e muçulmanos. Passaram também judeus, cuja presença é visível no bairro do Quelho, a antiga judiaria de Salzedas. O local conserva marcas da ruralidade dos primeiros tempos – note nos pisos térreos que serviam de curro para animais e nos alpendres em madeira.

Salzedas guarda uma obra do famoso arquiteto e pintor Nicolau Nasoni, que projetou a Torre dos Clérigos, no Porto – é a Capela do Desterro, do século XVII, que espanta pela forma hexagonal e pelos azulejos que a revestem. Vale a pena também visitar a Ponte Românica de Vila Pouca, de um só arco, que atravessa o rio Varosa.

Antes de sair da terra, não deixe de provar o Biscoito de Salzedas, também conhecido por Biscoito da Teixeira. Em Salzedas, este biscoito segue a receita tradicional dos monges de Cister. Mas há outro segredo de monges que felizmente saiu das paredes do mosteiro local: o licor de baga de sabugueiro.

No concelho de Tarouca há outra aldeia vinhateira. Ucanha é uma das mais antigas povoações da região. Os romanos fizeram das terras férteis do vale do rio Varosa uma oportunidade para a agricultura. Mais tarde, como na vizinha Salzedas, os monges tiveram um papel fulcral no desenvolvimento da terra. Prova disso são a ponte fortificada (século XII), única em Portugal, e a respetiva torre de portagem, que são o principal ponto de visita da de Ucanha.

Uma visita a esta aldeia não fica completa sem conhecer a Igreja Matriz de São João Evangelista, do século XVII, cujas peças em talha dourada contrastam com a arquitetura sóbria, e as ruínas da Abadia Velha.

Para terminar em beleza este passeio pelas aldeias vinhateiras, descubra um outro vinho produzido na região: o vinho espumante. Prove este vinho com a doçaria conventual da região (a combinação é divinal), enquanto observa as águas calmas do rio Varosa.

Como Chegar

Há várias ligações diretas para a cidade do Porto. Se optar por uma low cost há opções desde Londres (Stansted e Gatwick), Birmingham, Paris (Beauvais, Orly, Vatry e Charles de Gaulle), Marselha, Dole, Lille, Estrasburgo, Tours, St. Etienne, Bordéus, Lyon, Nantes, Madrid, Barcelona El Prat, Valencia, Milão Bergamo, Roma Ciampino, Bruxelas (Charleroi e Zaventem), Eindhoven, Maastricht, Amesterdão, Genebra, Basel/Mulhouse, Dortmund,  Frankfurt Hahn, Karlsruhe Baden, Nuremberg, Hamburg Lübeck , Munique Memmingen e Dusseldorf Weeze.

No verão, há companhias low cost a voar de Liverpool, Dublin, Bolonha, Toulouse, Clermont Ferrand, Carcassonne, La Rochelle,  Limoges, Rennes, Las Palmas, Palma de Maiorca, Tenerife e Bremen.

Nas companhias tradicionais pode viajar para o Porto a partir de Londres (Gatwick e Heathrow), Madrid, Barcelona, Munique, Frankfurt, e Paris Orly, Caracas, Genebra, Luxemburgo, Amesterdão, Milão Malpensa, Luanda, Zurique, Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Bruxelas Zaventem, Roma Fiumicino, Toronto, e Luanda. No verão, pode ainda fazê-lo a partir de Montreal, Menorca, Brest e Brive.

A partir do Porto, a autoestrada A4 é a via rodoviária mais prática para chegar à região do Douro. Para prosseguir para Favaios e Provesende utilize o IC5. Para visitar Barcos e Trevões saia na A4, entre na A24 e depois siga na N222. Para chegar às aldeias de Salzedas e Ucanha use a A24 e a N226.

 

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