Herança Judaica no Porto e Douro

Importante porto marítimo e burgo de raiz comercial, o Porto foi uma das cidades onde os judeus se fixaram em Portugal. 

Pedro Rio CC BY-NC-SA

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A história da comunidade judaica daquela que é a capital da região norte é indissociável da própria história da presença hebraica em terras lusas. No Douro, também há vilas, cidades e aldeias onde outrora existiram importantes comunidades judaicas. Reserve três dias das suas férias para descobrir um património rico em memórias evocativas de uma comunidade que se estabeleceu no país entre os séculos V e XV.

Porquê ir

  • História
  • Paisagem
  • Cultura
  • Gastronomia e vinhos

Os judeus sefarditas contribuíram de diversas formas para a cultura portuguesa durante esse período e o Porto e o Douro, onde a cidade de Lamego constituiu uma das duas maiores comunidades judaicas existentes entre os rios Douro e Tejo, não ficaram alheios a essa influência.

Sob a proteção da monarquia, os judeus – filósofos, humanistas, cientistas e mercadores –, foram determinantes em vários momentos importantes da História portuguesa, nomeadamente pelos contributos financeiros e científicos que deram durante a época dos Descobrimentos.

A fé judaica persistiu em segredo mesmo depois de os reis portugueses ordenarem a expulsão dos judeus do país, seguindo o que acontecera em Espanha em 1496. Se é verdade que houve judeus que se converteram ao catolicismo tornando-se cristãos-novos e que muitos saíram do país, muitos outros ficaram e mantiveram a sua fé de forma secreta.

Desses tempos, ficaram marcas e inscrições simbólicas que ainda é possível observar nas zonas das antigas judiarias – fique atento às Mezuzot esculpidas nas ombreiras de pedra dos edifícios; estas caixas tubulares de madeira, vidro ou metal são um símbolo da fé judaica merecedor de grande respeito – e nomes de ruas que assinalam a existência de uma comunidade judaica – como rua Nova, rua Direita, rua da Estrela ou rua Espinosa.

As várias judiarias do Porto

Descubra o Porto judaico e percorra as ruas onde nasceu e se desenvolveu uma comunidade que se supõe ter surgido mesmo antes da fundação de Portugal. A judiaria da cidade ficava situada bem no coração do burgo, que no século XII pulsava junto à Sé Catedral, na zona hoje delimitada pelas ruínas do Convento de Monchique, pela Torre dos Clérigos, pela Sé, pela Alfândega do Porto e pela praça e túnel da Ribeira – e onde subsistem alguns altares judaicos, em propriedades privadas.

Num dia, conseguirá percorrer todos estes locais e ainda entrar em alguns monumentos emblemáticos da cidade.

Vai gostar

  • De saber que uma das mais antigas inscrições portuguesas em hebraico, a Pedra de Monchique, é proveniente da Judiaria do Porto. Pode ser vista no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa
  • De assistir a um espetáculo de teatro no Mosteiro de São Bento da Vitória: foi um dos edifícios religiosos mais importantes da cidade e hoje é um dos palcos do Teatro Nacional São João
  • Da paisagem do Douro e das gravuras rupestres no Parque Arqueológico do Vale do Côa

A primeira sinagoga do Porto existiu naquela que é hoje a rua de Santana e, à medida que a cidade se foi desenvolvendo, a comunidade judaica foi-se espalhando em direcção ao rio. Faça esse percurso, terminando na praça da Ribeira e nas ruas adjacentes, onde naquele tempo viviam os judeus de renome: os físicos, os ourives, os grandes comerciantes. Se precisar de recuperar forças, descanse numa das agradáveis esplanadas em frente ao rio e aprecie a Ponte D. Luís I e a paisagem formada pelos armazéns e caves do vinho do Porto, na margem sul do Douro.

Siga a pé até à zona do Palácio da Bolsa e do antigo Mercado Ferreira Borges. Aí, ficava outra judiaria da cidade, que tinha como centro uma sinagoga situada na atual rua do Comércio do Porto.

Continue até Miragaia e calcorreie a zona de Monchique, onde no século XIV foi erguida uma sinagoga de que resta uma bela inscrição guardada no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa. Em algumas ombreiras encontrará cruzes cristãs que os judeus esculpiam nas pedras das suas casas para fazer saber que ali viviam cristãos novos.

Se seguir caminho em direção à antiga Cadeia da Relação – que hoje alberga o Centro Português de Fotografia –, vai passar por onde outrora existiu a judiaria nova ou do Olival, uma zona hoje delimitada pela rua de S. Bento da Vitória, as escadas da Vitória e a rua de Belomonte. Visite o Mosteiro de S. Bento da Vitória, construído em terrenos da antiga judiaria, e pare no miradouro do Largo da Bateria da Vitória para apreciar a vista sobre o casario e o Douro.

Na zona da Boavista, onde a vida judaica da cidade passou a centrar-se nos séculos XVII e XVIII, é possível visitar a sinagoga Kadoorie, um templo judaico cuja construção começou em 1929, terminando 8 anos mais tarde. Também chamada Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (“Fonte de Vida”), a actual sede da Comunidade Israelita do Porto é a maior sinagoga da Península Ibérica.

O que precisa saber

  • Sefardita ou sefardim é o nome por que eram conhecidos, na Idade Média, os judeus de Portugal e da Espanha e os que hoje usam os ritos e costumes dos judeus imigrados da Península Ibérica, espalhados por várias partes do mundo
  • A sinagoga Kadoorie fica na rua Guerra Junqueiro, 340, 4150 Porto

Regresse ao centro histórico da cidade e pernoite no Hotel Carris Porto Ribeira, um hotel de 4 estrelas que ocupa parte de um conjunto de cinco edifícios que remontam à época romana e à idade média e estão classificados como património nacional e inseridos no conjunto classificado como património mundial pela UNESCO. Por perto, encontra ainda o Pestana Porto, outro hotel de 4 estrelas com uma vista inigualável sobre o rio Douro.

Os judeus no Douro

De manhã, rume ao Douro, onde tem obrigatoriamente de visitar Lamego, onde os judeus ocuparam inicialmente, a partir do séxulo XIV, a área entre o castelo e a igreja de Santa Maria de Almacave. No século seguinte, já haveriam duas judiarias na cidade duriense: a judiaria velha, perto da Porta do Sol, e a judiaria nova, na atual rua Nova.

Apesar da importância religiosa católica de Lamego, em 1436, existiam mais de 400 habitantes judeus nestas duas zonas. Na rua Nova, observe um característico portal ogival, granítico, agora com inscrição cristã, que dá a entender que pode ter sido aqui a antiga sinagoga.

Na cidade, o Hotel Lamego é uma boa opção para ficar hospedado na região. Construído numa antiga quinta, que ainda preserva um palacete de 1926, é o local ideal para desfrutar harmoniosamente do conforto, tranquilidade, história e sabores do Alto Douro Vinhateiro.

O que fazer

Para lá da cidade de Lamego, na região conhecida pelo vinho do Porto e pelos vinhos DOC (Denominação de Origem Controloda) Douro, os mais representativos centros judaicos eram, em tempos idos, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Freixo de Espada à Cinta, Vila Real e S. João da Pesqueira.

Em Freixo de Espada à Cinta aprecie as inúmeras portadas e janelas de estilo manuelino da vila transmontana fronteiriça.

Em Vila Nova de Foz Côa, percorra a judiaria, junto ao castelo, e visite a capela de Santa Quitéria, que substituiu na rua do Castelo a antiga sinagoga.

Em Freixo de Numão, vila onde a população judaica aumentou muito depois da expulsão dos judeus de Espanha, veja a Casa Judaica, construção típica da época. Fica perto do largo do Pelourinho.

Como Chegar

Para o Porto, há voos low cost, por exemplo, de Londres (Stansted e Gatwick), Paris (Beauvais, Orly, Vatry e Charles de Gaulle), Marselha, Lille, Tours, St. Etienne, Bolonha, Bordéus, Lion, Toulouse, Madrid, Barcelona El Prat, Tenerife, Valencia e Palma de Maiorca.

Apenas no verão, há companhias low cost a voar de Liverpool, Las Palmas, Carcassonne, Rodez e Nantes.

Com tarifas normais, há ligações aéreas a partir de Londres – Gatwick, Madrid, Barcelona e Paris – Orly.

Do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, a melhor forma de chegar ao centro da cidade do Porto é de metro. A viagem dura cerca de 30 minutos.

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