O que fazer

Pelos segredos da Rota da Terra Fria

Traditional Smoked Sausages CC BY-NC-ND - Associação de Turismo do Porto e Norte, AR

Cidadela Bragança CC BY-NC-ND Município Bragança

 
 

Na Rota da Terra Fria Transmontana - que se estende pelos concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais - vai encontrar aldeias, vilas e cidades repletas de património, arribas, vales, montanhas magníficas e gastronomia única.

    • História e cultura
    • Património
    • Ar livre
    • Natureza
    • Gastronomia e Vinhos
    • Descobrir os castelos de Vinhais e Mogadouro e um património religioso bem conservado nas aldeias que integram a Rota da Terra Fria.
    • Conhecer as tradições e a cozinha local. Os enchidos em Vinhais e a posta mirandesa em Miranda do Douro são iguarias a não perder.
    • Apreciar as longas extensões de carvalho, castanheiros e amendoeiras nas várias serras da região.
    • Percorrer o centro histórico de Bragança, uma pérola bem conservada.
    • Fotografar Rio de Onor, talvez a mais emblemática das aldeias do Nordeste de Portugal.
    • Reservar um dia para fazer um cruzeiro ambiental no parque natural do Douro Internacional. A partida faz-se em Miranda do Douro e durante o percurso poderá observar as aves que habitam as escarpas do rio Douro.
    • Em cada uma das cinco sedes de concelho da Rota da Terra Fria Transmontana há uma Porta da Rota, onde poderá obter informação em formato papel ou digital.
    • Poderá fazer a Rota da Terra Fria em qualquer época do ano, mas se escolher o inverno é possível encontrar neve e gelo na estrada.
    • Se quiser experimentar os sabores locais, fevereiro é uma boa altura para a visita. É neste mês que acontece a Feira de Fumeiro de Vinhais.

São 455 quilómetros ao longo de Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais, cinco dos doze concelhos do distrito de Bragança. A Rota da Terra Fria Transmontana é longa, mas faz-se ao ritmo das vontades e tempo de cada visitante. Se a fizer completa terá 11 troços pela frente. Mas pode começar a descoberta em qualquer uma das 11 Portas dos Troços, o nome dado às articulações da rota com os principais eixos locais da rede nacional de estradas.

A rota percorre aldeias, vilas e cidades, castelos e igrejas de tempos antigos que o povo conservou, vales encaixados, vistas deslumbrantes sobre o Douro e outros rios, paisagens e casarios de xistos e granitos, prados de lameiros, matos de carvalho negral, soutos de castanheiros, hectares de amendoeiras (entre março e abril, as amendoeiras ficam em flor, pintando a paisagem de branco e rosa).

Visitar a região de verão é encontrar um clima quente e seco. Já no inverno o frio, a chuva e a neve, sobretudo na serra de Montesinho e noutros pontos altos, marcam a vida local e a paisagem. O clima diverso e a mão humana explicam a diversidade das paisagens.

A Rota da Terra Fria Transmontana pode fazer-se de carro (a opção mais acertada se quiser conhecer a fundo este pedaço do território nordestino português), a pé ou de bicicleta. Em cada uma das cinco sedes de concelhos, encontramos as Portas da Rota, pontos de informação (em papel ou multimédia) e espaços com atividades, como ações de degustação, eventos culturais ou exibições de ofícios tradicionais. Ao longo do percurso, poderá ainda contar com a ajuda de quiosques multimédia, localizados nas Portas dos Troços.

O primeiro troço começa na aldeia de Quintanilha – a porta da rota mais próxima da fronteira com Espanha – e termina em Avelanoso. Em Quintanilha, verá a Capela de Nossa Senhora da Ribeira, um templo gótico do século XIII. Verá a imponente Basílica do Santo Cristo, no Outeiro. Passará pela vila de Vimioso. E descobrirá pequenas aldeias feitas de xisto, que serão uma constante ao longo da Rota da Terra Fria.

O segundo troço (Avelanoso – Constantim) é o mais curto da rota. Vale a pena parar em S. Martinho de Angueira, sobre o rio Angueira. Esta povoação existe pelo menos desde o século XIII. Um desvio de cerca de cinco quilómetros na rota leva-nos ao Santuário da Senhora do Nazo, devoção que se pensa ser de origem medieval – atente no templo principal, cuja posição garante vistas de cortar a respiração sobre o planalto, e nas cinco capelas que o rodeiam.

Chegados a Constantim, iniciamos o terceiro troço, rumo a Sendim. Na Igreja Matriz de Constantim temos direito a uma das mais belas panorâmicas da região – a vista estende-se por todo o planalto até às serras do Montesinho, Nogueira, Bornes e Mogadouro (vê-se mesmo a povoação espanhola de Brandilanes). Maravilhe-se com os “Canhões do Douro”, altas arribas por onde vagueiam aves de rapina, designadamente a enorme águia-real e, no verão, o migrante abutre-do-egito.

Ainda no terceiro troço, Aldeia Nova merece uma visita devido à Capela de S. João e ao Castro de S. João das Arribas. Não longe dali fica a cidade de Miranda do Douro, cuja parte antiga é um ponto de visita obrigatória, tal como a Catedral, com retábulos de excecional valor. Miranda do Douro é também conhecida pelas suas tradições – dos Pauliteiros de Miranda, praticantes de uma dança guerreira, ao mirandês – e gastronomia (a posta mirandesa é referência nacional).

Chegados a Sendim, terra do famoso encontro de música folk, o Festival Intercéltico de Sendim, partimos para o quarto troço. O destino é a pequena e aprumada vila de Mogadouro e o caminho é rico em surpresas.

Na aldeia de Palaçoulo, podemos comprar uma navalha forjada artesanalmente por cuteleiros. Em Tó a Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena é das mais afamadas (e bem conservadas) do concelho de Mogadouro. Em Ventozelo aprecie os frescos do século XVIII e as figuras da Via Sacra, em tamanho real, na Capela do Senhor da Boa Morte, que os Távoras mandaram construir no final do século XVII. Se está de carro, estacione em Urrós e percorra o estradão de terra batida que o levará, por entre vinhas, oliveiras e amendoeiras, até às margens do Douro. Encontrará uma das mais belas vistas oferecidas pelo rio.

No Mogadouro visite o centro da vila e o castelo, com a torre de menagem e alguns troços de muralha ainda conservados. É o ponto de partida do quinto troço, que passa por três rios que alimentam o Douro – o Angueira, o Sabor e o Azibo. Passará por Castro Vicente, com património como a Capela do Senhor da Fraga, e por Penas Roias, que chegou a ser sede de concelho, sendo hoje conhecida pelo seu castelo e pela “Fraga da Letra”, onde existe um conjunto de pinturas esquemáticas que se julgam originárias do século II-II a.C,

Duas espécies de árvores dominam o sexto troço (Algoso – Salsas): a oliveira e o castanheiro. A mais de 600 metros de altitude, num penhasco sobre o rio Angueira, surge o pequeno castelo de Algoso, dono de uma longa história de ocupação, iniciada na Idade do Bronze e terminada na Idade Moderna. Uva é uma das muitas aldeias da Terra Fria onde a arquitetura popular marca a paisagem – vemo-la nas casas de pedra miúda de xisto e nos mais de 30 pombais, alguns dos quais recuperados.

O rio Sabor faz a fronteira entre Vimioso e Bragança. Chegamos a Izeda, a mais importante povoação do concelho de Bragança, depois da sede. Uma visita ao Núcleo Museológico de Izeda, um antigo lagar transformado em espaço de divulgação do azeite, ensina-nos como funcionavam os antigos lagares de azeite.

Da pequena povoação de Salsas a Zoio faz-se o próximo troço. Na nossa visão andará sempre a serra de Nogueira e as suas extensões de carvalho negral. Uma passagem por Santa Comba de Rossas revela-nos o que resta da antiga estação da Linha do Tua. Nos tempos áureos da ferrovia portuguesa foi a mais alta estação do país (está situada a 849 metros de altitude). Junto à indicação à direita para Paçó verá uma curiosa paragem de transportes públicos, com telhado e lareira – uma forma de contrariar os rigorosos invernos. Não será a única que encontraremos na Rota da Terra Fria.

Paralela à via rápida, uma estrada cheia de curvas leva-nos a Bragança. Vale a pena o desvio da rota para conhecer a sede do concelho. A visita a Bragança não ficará completa sem uma passagem pela antiga Sé e pelo castelo, edificado no século XIII. No centro histórico medieval, ainda guardado por muralhas, está um dos mais importantes testemunhos da arquitetura civil medieval em Portugal, a Domus Municipalis. Ali se reunia o senado da cidade.

Outro desvio à rota leva-nos a Castro de Avelãs, monumento nacional onde se conserva a cabeceira da igreja de um antigo mosteiro clunicense, possivelmente anterior ao século XII.

A pequena aldeia de Zoio marca o início de mais um troço, o oitavo. A Igreja Matriz merece uma visita, sobretudo pelo seu interior, mas neste troço temos destino marcado: a vila de Vinhais e as suas delícias gastronómicos. O caminho, que inclui uma descida pelo vale do Tuela, dá-nos vistas magníficas para aguçar o apetite: choupos, amieiros e freixos a pontuar as linhas de água; carvalhos e castinçais, castanheiros seculares, gigantescos.

Junto à medieval Ponte da Ranca, pode fazer um piquenique ou uma simples pausa junto ao rio Tuela antes de se dirigir a Vinhais. Já na vila, entre no centro histórico pela porta principal da antiga fortaleza, procure a Igreja Matriz e descubra o pelourinho. Visite o Solar dos Condes de Vinhais, agora transformado em centro cultural, e o Solar da Corujeira. Aprecie os retábulos barrocos da igreja do Convento de S. Francisco e da capela contígua.

Vinhais é uma excelente opção para conhecer a gastronomia da região. Não é por acaso que aqui se realiza uma importante feira do fumeiro – estamos numa espécie de capital dessa arte de expor ao fumo as carnes, para as conservar e dar sabor. Aliado à qualidade das carnes, o fumeiro torna o presunto, o salpicão, o butelo, as alheiras, as linguiças e as chouriças, doces ou azedas, de Vinhais petiscos conhecidos em todo o país. Antes de deixar a vila, espreite o Parque Biológico de Vinhais para conhecer o património natural da região.

O nono troço começa em Sobreiró de Cima. Seguimos pelas margens do Rabaçal até às maiores altitudes da serra da Coroa. A aldeia de Tuizelo justifica uma visita, sobretudo à igreja barroca, dona de uma grande nave e retábulos em talha dourada. Em Vila Seco, peça aos habitantes para lhe mostrarem as adegas enterradas – uma forma de proteger o vinho do clima rigoroso.

Vale a pena parar em Moimenta, início do décimo troço, para conhecer a vida comunitária desta aldeia. Alguns empreendimentos comunitários – eira, moinhos, lagares, fontes e forja – ainda se conservam, fazendo de Moimenta uma das mais interessantes aldeias da Terra Fria. Percorremos meia-encosta da serra de Montesinho até chegarmos a Rio de Onor, talvez a mais emblemática das aldeias do Nordeste de Portugal.

É em Rio de Onor, parte do Parque Natural de Montesinho, que começa o último troço desta rota, que terminará onde começámos (Quintanilha). Como na Idade Média, Rio de Onor mantém-se uma aldeia comunitária, como atesta a partilha de fornos, terrenos agrícolas, moinhos ou mesmo um rebanho, pastoreado à vez pelos vizinhos nos terrenos que são de todos.

O casario em xisto proporciona imagens dignas de postal. A praia fluvial, junto às águas límpidas do rio Onor (ou Contensa, como muitos lhe chamam também), convida a um merecido descanso, depois de tantos quilómetros à descoberta da Terra Fria.

Uma região à mesa

O porco bísaro é um dos reis da gastronomia regional, conhecida em todo o país, tal como o bife de vitela da raça autóctone (a posta mirandesa, tão famosa quanto suculenta, que precisa apenas de sal e brasas nas quantidades certas para ser servida).

A região é conhecida pela posta e pelos enchidos (da alheira ao butelo, da chouriça de bofes ao salpicão), mas tem outras delícias por descobrir: as broinhas de nozes à moda de Bragança, o folar, o cabrito de Montesinho, o cordeiro assado, o congro ensopado, as trutas, as muitas variedades de cogumelos…

Concentremo-nos no porco bísaro, espécie rainha no fumeiro tradicional da região. A ligação da Terra Fria a este animal dura há séculos, como revelam as várias esculturas de porcos bísaros espalhadas pelas povoações. Estamos longe da produção animal em grande escala, o que também explica a qualidade única destas carnes. Aqui, o porco é alimentado à base de produtos naturais produzidos na própria exploração agrícola – castanha, beterraba, batata, couve, nabo, entre outros.

Se procura conhecer a gastronomia da Terra Fria, visite a Feira do Fumeiro de Vinhais, um dos maiores eventos gastronómicos do país. Acontece todos os anos, em Fevereiro.

Máscaras e falares

Em quase todas as aldeias do nordeste transmontano, entre o dia de Natal e o dia de Reis, acontecem vários rituais conhecidos, entre outros nomes, como Festas dos Rapazes.

Estas celebrações pagãs do solstício do inverno têm origens remotas, pensa-se que anteriores à cristianização da Península. O nome refere-se ao facto de os membros mais jovens da comunidade serem as estrelas da festa, com os seus “excessos” e loucuras protegidos pelas máscaras artesanais que lhes cobrem a cara. O ritual assinala a passagem dos jovens à idade adulta.

Em Vila Boa, no concelho de Vinhais, há uma oficina do "mascareiro" que vende estas máscaras de madeira, autênticos objetos de arte popular.

Outra tradição antiga é o mirandês. Não é um dialeto, nem uma variação do português, mas antes um idioma de pleno direito, oriundo do latim. Tem variantes locais, guadramilês, o riodonorês e o sendinês, falados nas áreas de Guadramil, de Rio de Onor e de Sendim.

Ainda hoje a população local é bilingue. Atualmente, o mirandês já se aprende nas escolas da região e está oficialmente reconhecido como língua europeia minoritária e segunda língua oficial portuguesa.                                                                                 

Como Chegar

Há várias ligações diretas para a cidade do Porto. Se optar por uma low cost há opções desde Londres (Stansted e Gatwick), Birmingham, Paris (Beauvais, Orly, Vatry e Charles de Gaulle), Marselha, Dole, Lille, Estrasburgo, Tours, St. Etienne, Bordéus, Lyon, Nantes, Madrid, Barcelona El Prat, Valencia, Milão Bergamo, Roma Ciampino, Bruxelas (Charleroi e Zaventem), Eindhoven, Maastricht, Amesterdão, Genebra, Basel/Mulhouse, Dortmund,  Frankfurt Hahn, Karlsruhe Baden, Nuremberg, Hamburg Lübeck , Munique Memmingen e Dusseldorf Weeze.

No verão, há companhias low cost a voar de Liverpool, Dublin, Bolonha, Toulouse, Clermont Ferrand, Carcassonne, La Rochelle,  Limoges, Rennes, Las Palmas, Palma de Maiorca, Tenerife e Bremen.

Nas companhias tradicionais pode viajar para o Porto a partir de Londres (Gatwick e Heathrow), Madrid, Barcelona, Munique, Frankfurt, e Paris Orly, Caracas, Genebra, Luxemburgo, Amesterdão, Milão Malpensa, Luanda, Zurique, Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Bruxelas Zaventem, Roma Fiumicino, Toronto, e Luanda. No verão, pode ainda fazê-lo a partir de Montreal, Menorca, Brest e Brive.

A partir do Porto, a auto-estrada A4 é a via rodoviária mais direta para chegar à Terra Fria. Em 2 horas e 30 minutos, chegará a Quintanilha, aldeia onde se inicia a Rota da Terra Fria. Bragança, a capital de distrito, situa-se a cerca de 22 quilómetros de Quintanilha. 

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Onde fica

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