O que fazer

Terra Quente Transmontana

CC BY-NC-ND Município de Mondim de Bastos CC BY-NC-ND Município de Mondim de Bastos

CC BY-NC-ND Associação de Turismo do Porto e Norte, AR CC BY-NC-ND Associação de Turismo do Porto e Norte, AR

CC BY-NC-ND - Associação Grupo de Caretos de Podence CC BY-NC-ND - Associação Grupo de Caretos de Podence

 
 
 

Entre o rio Douro e o Tua há uma região marcadamente agrícola e repleta de vestígios deixados pelos povos que há muitos séculos descobriram esta região. A Terra Quente Transmontana - constituída pelos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães - preserva também as suas tradições e os sabores da gastronomia. 

    • História e cultura
    • Património
    • Ar livre
    • Natureza
    • Gastronomia e Vinhos
    • Partir à descoberta do património religioso e histórico da Terra Quente Transmontana.
    • Apreciar a beleza natural da região marcada pelos rios, planaltos e serras.
    • Provar a gastronomia regional, especialmente o azeite fabricado com as azeitonas locais. 
    • Relaxar nas margens da Albufeira do Azibo: ir a banhos, fazer um piquenique ou simplesmente dormitar.
    • Conhecer a história do azeite através de um Núcleo Museológico dedicado ao azeite.
    • Visitar uma quinta de produção de vinho e provar os vinhos da região do Douro e Porto.
    • O Carnaval é uma festividade muito celebrada na região da Terra Quente, especialmente em Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros. É uma boa altura para presenciar as tradições seculares da região.
    • O automóvel é o meio de transporte mais cómodo para conhecer a região, já que as distâncias entre concelhos ainda são consideráveis. 

Terra Quente transmontana assim se designa a região constituída pelos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Vila Flor e Carrazeda de Ansiães, todos eles pertencentes ao distrito de Bragança. A Terra Quente goza de um clima mais suave do que a zona mais a norte do distrito, a Terra Fria, sendo esta uma das razões para a sua denominação. O Douro marca a paisagem dos concelhos situados no sul da Terra Quente, enquanto o Tua separa o concelho de Mirandela do de Macedo de Cavaleiros.

Esta região conjuga um vasto património histórico e cultural, integrado em paisagens de cortar a respiração. Os rios criam vales profundos, cujas margens servem para plantar vinho e azeite, principais motores da economia local. Nos diversos miradouros da região, pode observar paisagens variadas: há rios, terrenos plantados até ao fim do horizonte ou montanhas abruptas. Mas em todos os locais, há vestígios das populações que fazem a história da Terra Quente.  

Repleta de flores, Mirandela situa-se junto às margens do rio Tua. O imponente Paço dos Távoras, palácio do século XVII onde atualmente funcionam os Paços do Concelho e o Solar dos Condes de Vinhais, uma casa brasonada do século XVIII são alguns dos monumentos que poderá visitar. Se desejar recuar mais alguns séculos na História, visite as ruínas do Castelo de Mirandela, construído no século XIV. Hoje existem apenas vestígios espalhados pela cidade, sendo a parte mais visível a Porta de Santo António, que se situa numa habitação privada.

Por todo o concelho de Mirandela existem vestígios de povoamentos pré-históricos, nomeadamente monumentos megalíticos e castros. Do período do Bronze existem vestígios que comprovam uma atividade mineira intensa de exploração de estanho, cobre e arsénio. Os romanos, seduzidos pela riqueza do subsolo, também ocuparam vários locais da região por alguns séculos.

Não deixe Mirandela sem subir ao Miradouro do Santuário de Nossa Senhora do Amparo, construído no século XVII. Daqui poderá vislumbrar a cidade de Mirandela e o vale do rio Tua.

Depois de visitar Mirandela siga rumo a Macedo de Cavaleiros. Pelo caminho faça uma paragem em Romeu, aldeia típica transmontana muito bem conservada. Aqui poderá visitar o Museu das Curiosidades, uma coleção de objetos da família de um importante empresário agrícola que aqui se instalou no século XIX. Entrar neste museu é um regresso ao passado recente: há bicicletas, alfaias agrícolas ou material de cinema.

Situada num vale entre as Serras de Pinhovelo e Bornes (muito procurada para a prática de asa-delta e parapente), o concelho de Macedo de Cavaleiros apresenta um património muito rico: há solares, igrejas, pontes, cruzeiros e pelourinhos para descobrir e apreciar.

Faça uma visita prolongada à aldeia de Chacim, situada no sopé da serra de Bornes. Esta aldeia teve uma forte ligação à indústria da seda, sendo ainda possível observar as ruínas do Real Filatório de Chacim, local onde se fabricava a seda. Mesmo ao lado está o Centro Interpretativo do Real Filatório de Chacim, que permite compreender melhor o impacto que esta indústria teve na região durante o século XVIII.

A sul do concelho de Macedo de Cavaleiros, está o concelho de Alfândega da Fé, cuja paisagem é também marcada pela Serra de Bornes e um património, fundamentalmente, ligado à religiosidade, como as Igrejas Matriz de Agrobom, Matriz de Sambade (século XVIII) e Matriz de Sendim da Ribeira (século XIX), entre outras.

No concelho de Alfândega da Fé destaca-se, também, o património relacionado com a defesa do território, como os castelos de Alfândega da Fé, de Felgueiras em Agrobom ou de Sendim da Ribeira. Um dos monumentos mais emblemáticos da vila de Alfândega da Fé é a Torre do Relógio, um monumento raro provavelmente proveniente da Idade Média e com utilização militar.

A oeste do concelho de Alfândega da Fé está Vila Flor, um concelho marcado pelos extensos campos de oliveiras e pela produção de azeite. Esta vila pitoresca, que surpreendeu em beleza o rei D. Dinis, é um local onde poderá descobrir a história e os sabores da Terra Quente. A vila já foi muralhada, uma vez que D. Dinis ordenou a contrução de um castelo no século XIII, mas hoje só existem algumas partes da muralha. Uma parte que sobreviveu à evolução da vila foi o Arco de D. Dinis que pode ser observado na zona histórica da vila.

A poucos quilómetros de Vila Flor, fica a pequena aldeia de Freixiel num vale rodeado pelas serras dos Folgares, Cabreira, Mós, Pessegueiro e Vieiro. É uma aldeia onde o tempo passa devagar e as suas gentes têm sempre uma plavra simpática para os visitantes. Aproveite para visitar o Pelourinho, a fonte e o lagar romanos e a Necrópole do Salgueiral.

Do centro de Vila Flor para Carrazeda de Ansiães são menos de 20 quilómetros. Aqui a arte antiga e moderna estão em relação harmoniosa, desde as esculturas contemporâneas em granito do Museu Internacional de Arte Contemporânea ao Ar Livre até ao Pelourinho do século XVIII, construido aquando da transferência da sede de concelho de Ansiães para Carrazeda de Ansiães. Visite o CICA – Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães, local de excelência para conhecer a história do concelho mais profundamente e o moinho de vento construído no século XX e que moía o trigo produzido nos terrenos à volta da vila.

Do centro da vila parta para Ansiães onde se impõe uma visita ao Castelo (que foi habitado entre o terceiro milénio a.c. até 1734) e às Igrejas românicas de São João Baptista e de São Salvador de Ansiães. Do topo do castelo pode apreciar a paisagem: oliveiras, pomares e ao fundo a vila de Carrazeda de Ansiães. Se tiver oportunidade, rume ao sul para descobrir outra paisagem imperdível no Miradouro da Rota do Douro. Aqui, na aldeia de Beira Grande, avistam-se as margens moldadas do rio Douro, fruto do árduo trabalho do homem que forma os socalcos onde se plantam as vinhas que prodzem o vinho do Porto, o mais internacional vinho português.

Natureza e atividades de lazer

É uma área de paisagem protegida, mas não é por isso que é interdita à diversão. A Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo situada, quase na sua totalidade, no concelho de Macedo de Cavaleiros é um local privilegiado para observação da natureza, mas também para as atividades aquáticas, como o remo, o windsurf ou a canoagem.

Com uma área superior a 3 mil hectares a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo é um dos melhores locais da Europa para a observação de aves. Há cerca de 40 espécies de aves que podem ser observadas: nos pontos mais elevados há águias e cegonhas, enquanto próximo das margens da albufeira poderá observar maçaricos-das-rochas e mergulhões-de-crista. Mas com certeza que não vai ficar indiferente aos voos rasantes do tartaranhão-caçado, ave migratória que habita o Azibo entre março e setembro.

Para continuar á descoberta da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo percorra um dos percursos pedestres sinalizados ou a ciclovia do Azibo e deixe-se encantar pelas cores da paisagem constituída por azinheiras, sobreiros e por várias flores onde se destacam as orquídeas silvestres, Pelo caminho, tente descobrir as raposas, os esquilos e lebres que habitam esta área.

Se o tempo permitir não vale a pena resistir a um mergulho nas águas albufeira do Azibo. E o melhor é que há duas praias à sua disposição: a praia fluvial da Ribeira e a praia fluvial da Fraga Pegada. Ambas são acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida. 

A praia da Ribeira é um local excelente para passar um dia em família, já que dispõem de várias infraestruturas, como parque de merendas, jardim infantil, campo de jogos e uma zona com diversões aquáticas. A zona goza ainda de um microclima muito especial que faz com que no verão a temperatura da água esteja normalmente acima dos 24ºC.

A praia fluvial da Fraga da Pegada é regularmente galardoada pela qualidade das suas águas, por isso ostenta Bandeira Azul há mais de uma década. É uma ótima praia para a prática da natação e de outros desportos náuticos não motorizados como remo, windsurf e canoagem. No final do dia, poderá recuperar as energias no restaurante da praia, especializado em iguarias locais à base da carne e caça transmontana.

Para os amantes dos animais é aconselhável uma visita ao Complexo Turístico do Peneiredo, próximo da barragem do Peneiredo, no concelho de Vila Flor. Além de piscinas, parque de merendas e parque de campismo, o complexo incluí um pequeno zoo. Aqui vai poder observar espécies animais, como o gamo, javali, pavão, patos, entre outras aves.

O concelho vizinho de Vila Flor, Mirandela, também tem um espaço verde (Parque Doutor José Gama) onde poderá dar um mergulho, jogar minigolfe ou aproveitar as sombras das árvores para dormir uma sesta, afinal o corpo também precisa de descanso! Saiba também que o rio Tua é muito utilizado para a prática de jet-ski, inclusivamente Mirandela recebe muitas vezes os campeonatos nacionais e europeus de jet-ski.

Se quiser relaxar junto ao rio Douro, rume até ao concelho de Carrazeda de Ansiães, mais especificamente ao cais da Senhora da Ribeira. Quando se sentar debaixo da sombra das árvores frondosas e olhar para as margens do rio repletas de vinhas plantadas em socalcos, vai compreender a razão desta região vitivinícola ser uma das mais bonitas do mundo.

Tradições singulares e gastronomia deliciosa

Em quase todas as aldeias do nordeste transmontano, entre o dia de Natal e o dia de Reis, acontecem vários rituais conhecidos, entre outros nomes, como Festas dos Rapazes.

Estas celebrações pagãs do solstício do inverno têm origens remotas, pensa-se que anteriores à cristianização da Península. O nome refere-se ao facto de os membros mais jovens da comunidade serem as estrelas da festa, com os seus “excessos” e loucuras protegidos pelas máscaras artesanais que lhes cobrem a cara. O ritual assinala a passagem dos jovens à idade adulta.

Em Vila Boa, no concelho de Vinhais, há uma oficina do "mascareiro" que vende estas máscaras de madeira, autênticos objetos de arte popular.

Outra tradição antiga é o mirandês. Não é um dialeto, nem uma variação do português, mas antes um idioma de pleno direito, oriundo do latim. Tem variantes locais, guadramilês, o riodonorês e o sendinês, falados nas áreas de Guadramil, de Rio de Onor e de Sendim.

Ainda hoje a  população local bilingue. Atualmente, o mirandês já se aprende nas escolas da região e está oficialmente reconhecido como língua europeia minoritária e segunda língua oficial portuguesa.

Como Chegar

Há várias ligações diretas para a cidade do Porto. Se optar por uma low cost há opções desde Londres (Stansted e Gatwick), Birmingham, Paris (Beauvais, Orly, Vatry e Charles de Gaulle), Marselha, Dole, Lille, Estrasburgo, Tours, St. Etienne, Bordéus, Lyon, Nantes, Madrid, Barcelona El Prat, Valencia, Milão Bergamo, Roma Ciampino, Bruxelas (Charleroi e Zaventem), Eindhoven, Maastricht, Amesterdão, Genebra, Basel/Mulhouse, Dortmund,  Frankfurt Hahn, Karlsruhe Baden, Nuremberg, Hamburg Lübeck , Munique Memmingen e Dusseldorf Weeze.

No verão, há companhias low cost a voar de Liverpool, Dublin, Bolonha, Toulouse, Clermont Ferrand, Carcassonne, La Rochelle,  Limoges, Rennes, Las Palmas, Palma de Maiorca, Tenerife e Bremen.

Nas companhias tradicionais pode viajar para o Porto a partir de Londres (Gatwick e Heathrow), Madrid, Barcelona, Munique, Frankfurt, e Paris Orly, Caracas, Genebra, Luxemburgo, Amesterdão, Milão Malpensa, Luanda, Zurique, Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro, Bruxelas Zaventem, Roma Fiumicino, Toronto, e Luanda. No verão, pode ainda fazê-lo a partir de Montreal, Menorca, Brest e Brive.

Uma forma cómoda de chegar ao centro da cidade do Porto a partir do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro é o metro. A viagem dura cerca de 30 minutos.

Para chegar à Terra Quente a partir do Porto, apanhe a A4 em direção a Macedo de Cavaleiros. A viagem dura cerca de 2 horas. 

Onde fica

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