Tesouros do barroco no Porto e norte de Portugal

Tire três dias de férias para passear pelo norte de Portugal e conhecer os tesouros da arte barroca na região. 

Freixo Palace Hotel - Pousadas de Portugal CC BY-NC-ND

Porto City Council CC BY-NC-ND

Turismo de Portugal CC BY-NC-ND

Porto City Council - António Sacchetti

Porto City Council - João Paulo CC BY-NC-ND

Pousadas de Portugal CC BY-NC-ND

Associação de Municípios do Vale do Sousa CC BY-NC-ND

 
 
 
 
 
 
 

Símbolo do século XVIII no país, o Barroco demarcou-se da arte noutras geografias através dum original exotismo. A talha dourada sobre o azul do azulejo deu origem em Portugal a uma invulgar expressão do Barroco.

Porquê ir

  • Património
  • Arquitetura
  • Cultura
  • Gastronomia e vinhos

Beneficiando do apogeu económico vivido na época – fruto da descoberta das minas de ouro e de pedras preciosas do Brasil e das madeiras nos novos continentes –, palácios, igrejas e mosteiros encheram-se de movimento e cor. No Porto, não pode deixar de visitar a Torre dos Clérigos e a Igreja de São Francisco. Perto da cidade, a região do Vale do Sousa oferece uma rota turística e cultural composta por vários monumentos de estilo românico. Para norte, nos arredores de Braga, capital eclesiástica do país, o Santuário do Bom Jesus e o Mosteiro de Tibães merecem igualmente a sua visita. No Douro, também há interessantes monumentos barrocos.

Primeira paragem: Porto

Comece pelo Porto, cidade antiga que deu nome a Portugal e a um vinho famoso em todo o mundo – o vinho do Porto – e onde viveu Nicolau Nasoni, pintor-decorador italiano que se apaixonou pelo norte do país e cuja obra fantasista e cenográfica marcou de forma única e surpreendente a arquitetura e ornamentação barrocas da região.

Visite a Sé Catedral, edificada no século XII e sofreu com várias modificações ao estilo barroco, como o magnífico retábulo da capela-mor, e detenha-se em frente ao grandioso e elegante edifício do Paço Episcopal, um imóvel do século XVIII da autoria de Nasoni. O italiano era exímio a trabalhar o granito em movimentos ondulantes.

Na capital do norte de Portugal, aprecie ainda as igrejas de Santa Clara – uma harmoniosa combinação da talha e azulejo –, da Ordem Terceira ou de Santo Ildefonso, monumentos ricos em talha dourada e azulejos do século XVIII.

Na baixa, no coração da zona mais animada ao nível da restauração e dos bares, observe a imponente fachada da Igreja do Carmo, cujo exterior é revestido a azulejos azuis e brancos, e deixe-se impressionar pela Igreja e Torre dos Clérigos, obra-prima de Nicolau Nasoni que em 2013 celebrou 250 anos de existência.

Almoce nesta zona. Entre num restaurante tradicional e prove um prato típicos da gastronomia local, como as tripas à moda do Porto por exemplo, ou entregue-se a uma experiência de degustação num dos restaurantes de cozinha de autor da baixa.

De tarde, desça até à zona ribeirinha da cidade. Nasoni também projetou a Igreja da Misericórdia do Porto, na rua das Flores, em pleno centro histórico da cidade. Nesta zona, classificada como património mundial pela UNESCO desde 1996, vale a pena espreitar também a Igreja de São Francisco, cujo interior é revestido de talha barroca e rococó.

Vai gostar

  • Da Igreja de São Francisco, no Porto. Com o interior totalmente revestido a ouro, este monumento vai deixá-lo com a respiração suspensa
  • Dos jardins, dos recantos com fontes de granito e dos ricos painéis de azulejos da Pousada de Santa Marinha da Costa, em Guimarães

Aproveite o final do dia para sair do Porto e conhecer a arquitetura românica da região. O românico do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares que o diferenciam no contexto do românico português. Acompanhado por um técnico intérprete do Património da Rota do Românico, conheça o Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro (Felgueiras), a Igreja do Salvador de Tabuado (Marco de Canavezes), a Ponte de Fundo de Rua (Amarante) ou o Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa (Penafiel).

A Rota do Românico tem programas turísticos específicos à sua disposição e também  elabora programas personalizados, quando contactada para o efeito.

Fique hospedado na Pousada do Porto Palácio do Freixo, um imóvel igualmente da autoria do arquiteto Nasoni. Data de meados do século XVIII e é um dos mais notáveis monumentos do barroco civil português, preservando integralmente a fachada do edifício principal, o palácio – o hotel fica completo com o o edifício da antiga Fábrica de Moagens Harmonia.

Rume a Braga e Guimarães

No dia seguinte rume a Braga, onde pode começar por visitar o Palácio dos Biscainhos e os seus belíssimos jardins. Trata-se de um edifício senhorial onde funciona atualmente um museu de artes decorativas dos séculos XVII e XVIII e onde ficará com uma perspetiva muito aproximada de como vivia a nobreza da época.

Na mais antiga Sé portuguesa, admire o cadeiral do coro alto e os dois órgãos monumentais. Perto da Sé de Braga, admire a fachada do Palácio do Raio em estilo rocaille.

Fora da cidade, vale a pena ir ao Santuário do Bom Jesus do Monte. Com uma escadaria monumental, este monumento soberbo destaca-se na paisagem verdejante.

Igualmente interessantes são a Igreja de Santa Maria Madalena da Falperra, pela sua decoração exuberante, e o Mosteiro de Tibães, que foi fundado no século XI e sofreu alterações nos séculos XVII e XVIII que lhe deram a ornamentação sumptuosa que hoje pode apreciar.

No próprio dia, e organizando bem o passeio, poderá visitar Guimarães. Passeie nas ruas da cidade e admire a imponente fachada da Igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos e o retábulo joanino da Igreja de São Francisco.

Pernoite na Pousada de Santa Marinha da Costa e prolongue a experiência barroca no alojamento. Resultado da recuperação do belo Mosteiro dos Agostinhos do século XII, a Pousada ergue-se, majestosa na encosta sobre a cidade de Guimarães e tem como vizinho o encantador Parque da Penha.

O que precisa saber

  • A Pousada de Santa Marinha da Costa fica no largo Domingos Leite de Castro – Lugar da Costa, 4810-011 Guimarães
  • A Casa de Mateus (http://www.casademateus.com/) fica no largo Morgados de Mateus, 5000 Vila Real
  • Marque na Rota do Românico pelo telefone 255 810 706 ou através do email visitasrr@valsousa.pt

Alto Douro vinhateiro

No terceiro e último dia da sua estadia, vá até ao Douro. Entre encostas marcadas por vinhas em socalcos, será uma viagem inesquecível, acredite. A paisagem marcada pelo Alto Douro Vinhateiro – que é património mundial da UNESCO – esconde outras obras marcantes de Nasoni.

Siga até Vila Real e visite a Casa de Mateus, um palácio do século XVIII rodeado por magníficos jardins e mundialmente conhecido por figurar no rótulo do vinho Mateus Rosé.

Depois, atravesse o Alto Douro vinhateiro e continue viagem rumo a Lamego. Repare nas fachadas dos muitos solares e casas apalaçadas e visite a Sé, cujas pinturas que revestem as abóbadas são da autoria de Nasoni.

Suba os 686 degraus que levam os visitantes até ao alto do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Nasoni também desenhou algumas das obras barrocas que decoram o este conjunto, nomeadamente uma belíssima fonte em granito que se encontra ao lado do santuário.

Verá que o esforço de subir a escadaria barroca vale bem a pena. Pela beleza do monumento em si – o granito cede ao movimento, a talha reveste-se de ouro, o azulejo enche-se de azul e branco – mas também pela panorâmica que oferece a quem chega ao topo. Pare uns minutos para apreciar a vista.

Tendo tempo, no Peso da Régua, visite o Solar do Vinho do Porto e prove o famoso vinho generoso.

Na sua última noite, fique alojado num dos solares existentes na região e conheça a arte de bem receber que tão bem nos caracteriza.

O que fazer

  • Suba os 240 degraus da Torre dos Clérigos e do topo deste monumento admire uma das mais belas panorâmicas do Porto
  • Marque a sua visita a um ou mais monumentos da Rota do Românico com uma antecedência mínima de três dias
  • Visite o Santuário de Bom Jesus. Pode ir a pé, de carro ou tomar o funicular, uma obra notável de engenharia do século XIX e o primeiro a ser instalado em Portugal, em 1882
  • Nos arredores de Lamego, aprecie o contraste da sobriedade cisterciense com a explosão de movimento e cor do retábulo do Mosteiro de Tarouca

Como Chegar

A Braga e a Guimarães, chega-se em aproximadamente 50 e 30 minutos, respetivamente, pela autoestrada A3. De Guimarães a Vila Real, conte com uma hora e quinze minutos de viagem se tomar as autoestradas A7, A11 e A4 e o IP4.

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